terça-feira, 23 de agosto de 2016

Vestibular e a grande escolha da sua vida

O que você vai quer ser quando crescer?

(Apoio é essencial)

Para as crianças essa pergunta têm uma resposta rápida e muitas vezes óbvia. “Caminhoneiro!” “Entregador de pizza!” “Astronauta!” “Professor!” “Bombeiro!” e tantos outros serviços existentes por aí. Elas admiram as profissões de um jeito puro que infelizmente os adultos perdem pelo caminho, e isso é algo que eu gosto muito: elas não se importam se professor ganha pouco no país, elas apenas querem dar aula, são livres de pré conceitos. Mas esses seres humaninhos não precisam decidir isso ainda, eles ainda podem brincar bastante.

Então essas crianças crescem e, com mais seriedade, novamente essa pergunta é feita, mas dessa vez é preciso resposta, é preciso decisão, e como é injusto decidir isso aos 17 anos! Essa é a idade onde a gente acha que se conhece, mas na verdade ainda não sabemos quase nada sobre nós mesmos. Só que, como eu disse, é preciso decisão. Então olhamos para os lados buscando a resposta que decidirá o resto das nossas vidas e muitas opções aparecem (em alguns casos, nenhuma), mas qual delas escolher? Qual é a verdadeira vocação de cada um? Desse modo, caímos no terrível erro de balancear as respostas utilizando três variáveis: se dá dinheiro, se é uma profissão valorizada socialmente e se tem uma mínima relação com as nossas habilidades específicas, mas vai muito além disso.

Comigo foi assim que aconteceu, sem ainda saber qual carreira seguir entrei no primeiro ano do ensino médio em uma escola famosa na cidade por preparar alunos que almejavam a sonhada vaga no curso de medicina. No final do ano, com 15 anos de idade, eu já havia decidido, queria ser médico. Coloquei na balança o curso de medicina sozinho, então percebi que médico é um profissional muito respeitado e geralmente com uma boa condição financeira, sem contar com o fato de que eu estava numa escola que preparava os alunos para isso. Tinha tudo a ver e já tinha decidido o que eu queria, ser médico formado por uma faculdade pública (na minha casa desde cedo deixaram claro que eu não faria particular). No terceiro ano do segundo grau percebi que minhas habilidades específicas nada tinham a ver com medicina, eu era muito bom em matemática e ficava com sono só de pensar em qualquer coisa da área biológica. Mas ser médico é legal, bora tentar! Por pouco não passei, mas tudo tem seus motivos.

"Medicina é assim mesmo, tenta mais um ano". Continuei estudando bastante no cursinho dessa mesma escola, fiz o vestibular para Medicina no Pará e Engenharia Mecânica na UFMG. Passei na UFMG, mais uma vez não deu em med, e para ser bem sincero eu nem sabia o que um engenheiro mecânico faz. No segundo ano de cursinho resolvi, pela primeira vez na vida, colocar outros cursos na balança. Haviam Direito, Medicina e Engenharia. Como para mim Direito nunca foi opção, restou engenharia, e tinha tudo a ver comigo já que matemática era a minha matéria preferida. Fiz o vestibular e passei em Engenharia Civil na UFPA e na UFRJ, e em Engenharia de Produção na UNIRIO. Optei pela UFPA e, ao entrar na faculdade, percebi que boa parte da minha turma tentou outros cursos antes e depois optou por engenharia. Não era só eu que não sabia o que fazer.

(Dei glória quando me livrei das apostilas de exercício do cursinho)

Meus pais, meus amigos e eu estávamos felizes pela minha entrada na faculdade, mas essa felicidade durou pouco, ainda não era engenharia. Depois de um ano cursando, eu decidi que não ia sair do curso enquanto não soubesse para qual mudar, então empurrei três semestres de Civil com a barriga e dentro da própria Engenharia eu conheci a Arquitetura, o motivo que eu precisava para largar o curso. Ouvi de todas as direções possíveis as críticas de como o mercado de trabalho de engenharia é muito mais amplo, de como o salário é melhor, como o engenheiro é mais respeitado ou sobre a quantidade de vagas em concursos públicos. Ouvi tudo, mas já tava decidido. Fiz vestibular, passei em Arquitetura na UFPA, e aqui estou eu 4 anos depois cursando o primeiro semestre de arquitetura, gostando muito, e me perguntando quantas pessoas não passaram por situações como essa.

(Pará tem as melhores comemorações)

Quantos médicos, engenheiros, advogados ou arquitetos frustrados existem? Quantas pessoas deixaram de descobrir suas verdadeiras vocações por não terem tido, como eu, a oportunidade de se conhecer melhor e mudar de curso? 17 anos não é cedo demais para tomar uma decisão tão importante? Aliás, existe uma idade certa?

São essas e muitas outras perguntas que eu me faço. A maioria não sei a resposta, mas uma coisa é certa: é preciso apoiar e estimular essa busca pela própria vocação. Muitos vão atrás de apoio mas acabam sendo puxados para baixo pelos amigos e até pelos familiares. O segredo é sempre incentivar. Incentivem mais um ano estudando para entrar no curso desejado, incentivem as mudanças de curso e todas as buscas pela verdadeira vocação. Incentivem a felicidade. O mundo já tem pessoas frustradas demais, e não tem coisa melhor do que fazer aquilo que gosta. O segredo é sempre incentivar.

E não se esqueçam:
São muitas experiências vividas por aí para guardar tudo para si. Aqui tudo é nosso!

3 comentários:

  1. Muito verdade isso! É preciso coragem pra renunciar à nossa própria vaidade de querer ser algo só pelos motivos que listaste, sem levar em conta vocação. Este texto deveria ser lido por todos os vestibulandos! Parabéns, amigo!

    ResponderExcluir
  2. Como professor, vejo de perto essa insatisfação de muitos alunos dentro da engenharia, os quais gostariam de atuar em outras áreas do conhecimento, mas que não têm essa oportunidade, principalmente no caso daqueles do interior do estado, onde a oferta de cursos é bastante restrita e a pessoa acaba optando pelo curso que considera "menos ruim". Obviamente isto se reflete no rendimento em sala de aula e, consequentemente, terá reflexos ao longo das vidas daquela pessoas e daqueles com quem conviver.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olho pra um grupo dde amigos meus do ensino médio e mais da metade deles (inclusive eu) já mudaram de curso. Impressionante! Mas que bom que a gente teve a oportunidade de mudar, o problema é quando nem todos podem fazer isso.

      Excluir