(Carolina, o dia 2)
Dia 2 (19 de julho, terça-feira): ENCANTO AZUL + POÇO AZUL.
Sabendo que os nossos destinos do dia 2 ficavam em uma outra cidade, nos programamos para acordar cedo. Organizamos nossas coisas, tomamos café, e às 8 horas já estávamos a caminho de Riachão. Chegando no estacionamento, às 10 horas, já enfrentamos nossa primeira decisão a ser tomada. De um lado havia o Encanto e do outro o Poço. Qual ir primeiro? O menino que nos chamava para descer para o Encanto Azul explicou que aquele era o melhor horário para ir, já que a luz do sol estava incidindo diretamente em suas águas, fazendo com que o azul ficasse mais bonito ainda (contra fatos não há argumentos). Fora isso, ao ir para o poço azul nós também passaríamos por outras cachoeiras e uma caverna, o que nos exigiria mais tempo. Decidimos visitar o Encanto azul por primeiro e passar a tarde desfrutando do Poço.
A ida para o encanto é feita por um serviço que contratamos na hora, saindo no valor de 30 reais por pessoa, e o trajeto é feito em uma 4x4. Areia, Esquerda, direita, abaixa a cabeça, galhos, areia, direita, esquerda, galhos e assim foi. Portanto, mesmo que você tenha uma 4x4, não vale a pena tentar fazer o passeio nela: serão muitos arranhões em um caminho que você não saberá para onde ir. Os 30 reais sim valem a pena.
(Cuidado com os galhos na cabeça)
Depois de uns 15 minutos brincando de desviar de galhos, fomos deixados no início de uma trilha que daria na entrada do Encanto Azul, e combinamos com o rapaz que às 12:30 h ele nos pegaria de volta. A trilha é bem simples e pode ser feita tranquilamente em uns 10 minutos. Terminamos a trilha e ainda não havíamos chegado lá, mas estávamos quase. O último desafio é a escada de madeira, nada mais e nada menos que
(A escada encantada)
Saindo da escada já era possível sentir o Encanto Azul. O chão estava mais frio, com pedras e uma água transparente que passava por nós, então bastaram alguns passos para que pudéssemos ficar encantados. Não consigo descrever o que passou na minha cabeça quando vi aquele azul pela primeira vez. Eu só conseguir sorrir, olhar para as pessoas e sorrir de novo. A criança achou o seu brinquedo preferido. Me joguei naquela água transparente, nadei para o outro lado, voltei, nadei para o outro lado, voltei de novo, e pensei “o menino tinha razão, esse sol na água faz toda a diferença”. Não era um azul, ou dois azuis, mas infinitos tons de azul. Azul claro, escuro, marinho, celeste e todos os outros que não conheço, em um só lugar, em uma só água, e eu estava tomando banho nela. Sobre a profundidade do poço eu não sei dizer, mas é fundo o bastante para não conseguir chegar lá – fizemos o teste.
*O poço não é todo fundo, ele tem partes mais fundas e partes rasas, então não se preocupem em relação a não ter onde se apoiar ou coisa parecida.
(Tudo azul)
Passada a euforia e o momento da criança que só queria gastar todas as energias ali, sentamos em uma pedra, ainda dentro do poço, e desfrutamos de mais um de seus poderes: relaxamento. Eu facilmente ficaria ali sentado o resto do dia, contemplando o azul e as rochas que tomavam conta de todo o ambiente, com aquela sensação de que nada mais importa. Ficamos mais um tempo conversando, com brilho nos olhos e prontos para visitar o próximo lugar. Os degraus não eram mais problema e a trilha da volta foi feita sem muito esforço. Com certeza tem alguma coisa especial naquele encanto azul. Já eram 12:30 horas e o Poço Azul nos esperava.
(Rafinha, de 8 anos, fez a trilha sem problemas)
O Poço Azul é mais bem estruturado que o Encanto. Lá tem restaurante, lanchonete, placas com sinalização, pulseirinhas de identificação e quem quiser pode até descer na tirolesa. A entrada custa 50 reais (estudante paga meia), e o adicional da tirolesa é 40. De início, a maioria de nós comprou a pulseira para ir na tirolesa, mas desistimos por ela não parecer valer tanto a pena (tem uma outra tirolesa na viagem que aparecerá na postagem sobre o complexo pedra caída).
*Importante: não pode entrar no poço azul com alimentos e bebidas.
Enquanto descíamos em direção ao poço azul, vimos que havia uma placa indicando para a cachoeira dos namorados. “É melhor irmos no poço azul por último, por ser a atração principal”, pensamos, e decidimos ir antes na cachoeira dos amantes. Lá é uma cachoeira bem pequena, mas, apesar do tamanho, tem um bom espaço para tomar banho. Esse espaço pequeno, por irem poucas pessoas, acabou sendo um dos lugares onde mais ficamos à vontade e vivemos o maior susto do dia.
(A menor cachoeira vale a pena)
Para registro de viagens como essa, câmeras a prova d’água são essenciais, e nós havíamos levado fora os celulares, câmeras GoPro, ótimas para registros sem preocupações quanto a entrada de água. Em um certo momento, a Vic queria bater uma foto e estava longe das câmeras, do outro lado da água. Esse problema poderia ser solucionado de dois modos: indo buscar a câmera para bater a foto, ou pedir para que alguém jogasse a câmera, correndo o risco de não conseguir pegar e fazer com que ela afundasse. “Pati, pega a GoPro aí e joga pra mim, por favor”, disse ela. Não tinha jeito, já estava escrito nas estrelas, a gente precisava passar por isso. Pati pegou a GoPro, e num arremesso digno de premiação pelo pior lançamento de GoPro do mundo, jogou diretamente na água. Victoria olhando. Pati olhando. Todos olhando. Câmera afundando.
O lado bom, como eu disse, é que a cachoeira dos namorados não cobria um espaço muito grande, o que facilitaria para achar a GoPro. O lado ruim é que, apesar de a água ser transparente também, não era o suficiente para enxergar o fundo. Não tinha jeito, íamos ter que brincar de caça ao tesouro, dessa vez valendo uma GoPro. Por sorte (tudo tá escrito nas estrelas), no momento em que perdemos a câmera, uma família estava passando pela cachoeira dos namorados, e eles tinham óculos de mergulho. Do mesmo modo que o Sr. Incrível veste a máscara para lutar contra o mal, vesti aqueles óculos de mergulho rosa e afundei em busca da câmera perdida. Voltei a superfície sem notícias boas, mas não poderia demonstrar isso para aquelas pessoas que confiaram em mim para tal trabalho. “Entrou água nos óculos”, eu disse então, ajustando-o e mergulhando de novo. Nadei, nadei, e rodei aquilo tudo nos 30 segundos sem respirar que minha asma permite, mas voltei sem câmera de novo. “Tá entrando muita água”, repeti, e com toda a fé que eu tinha em mim mergulhei pela terceira vez. Dessa vez os poderes das águas me ajudaram, e meus olhos foram direto para o local onde a GoPro tava. Peguei, fiquei orgulhoso de mim mesmo, e subi à superfície com o prêmio na mão. As pessoas ficaram felizes e deram gritinhos de felicidade, mas eu tenho a impressão de que multidões estavam me aplaudindo naquela hora. Retirei os óculos. Pedro Matos salvou o dia. Aliviamos toda essa tensão sentando com as costas na cachoeira – super relaxante – e então decidimos ir para a próxima.
(Massagem relaxante natural)
Já tínhamos escutado que, em certas épocas, a água do poço azul não ficava tão azulada. Quando chegamos na próxima cachoeira, nos deparamos com um enorme poço verde, com uma grande queda d’água, e sem ninguém. O poço azul não tava azul! Mas não deixamos o desânimo tomar o seu lugar, então apenas nos jogamos naquela água e aproveitamos aquele poço que deveria ter outra cor. Andamos sob as pedras, caminhamos pela cachoeira, fizemos pulos e gravamos vídeos. Ficamos um bom tempo ali, mas admitimos que aquele poço havia perdido para o Encanto azul. Ainda estávamos sem almoçar e já havíamos aproveitado ao máximo aquela cachoeira. Talvez estivesse na hora de ir embora...
(Reis do Poço Verde)
Arrumamos nossas coisas e, quando estávamos indo, percebemos que havia uma placa indicando mais dois lugares. O cansaço já tomava o seu lugar e hesitamos se iríamos ou não, mas como já estávamos ali, resolvemos dar uma chance. Chegamos perto da placa, olhamos para baixo e pudemos ver, de longe, uma cachoeira com uma água ainda mais transparente que a do encanto, um poço com o fundo cheio de pedras de formato redondo, o que tornava tudo mais bonito. ALI ESTAVA O POÇO AZUL. Nos entreolhamos, analisamos toda a situação e descobrimos que o poço verde na verdade é a cachoeira Santa Paula. Rimos. Gargalhamos. A gente já tava indo embora sem visitar o verdadeiro poço azul!
Seguimos a trilha em direção ao verdadeiro poço azul, e o cansaço foi embora. Tal como fora no encanto azul, quanto mais nos aproximávamos do poço, mais nos envolvíamos com o ambiente. A umidade estava aumentando e o ar de felicidade tomava conta da gente. De perto era mais impressionante ainda. A água era totalmente transparente (com certeza resgatar uma GoPro ali seria muito mais fácil). Entramos na água. Pulamos uma vez. Duas. Três. Várias. E enfim, depois do momento de criança, relaxamos lembrando que já estávamos indo embora sem conhecer o Poço, a principal atração do lugar. Rimos de novo.
(O poço é realmente transparente)
Saindo do poço azul, fomos ver a Cachoeira + Gruta Santa Bárbara, as últimas do dia. A gruta é bem pequena e possui um espaço reservado com uma oração para Santa Bárbara. Não ficamos muito tempo na caverna, então seguimos. Tudo na cachoeira Santa Bárbara é muito grande, desde seus 75 metros de queda até a área que a água cobre. Lá tem até uma corda que atravessa o espaço para facilitar o deslocamento das pessoas. Nadamos muito mais uma vez, passamos por trás da cachoeira, ouvimos o barulho das águas, tentamos – sem sucesso – nos comunicar por lá, e voltamos. Mesmo sendo visitada por último, depois das mais conhecidas, Santa Bárbara surpreendeu.
(Curiosidade do dia: só depois percebemos que nessa foto do Julio dá pra ver a imagem da Santa atrás da cachoeira)
Enfim, estava na hora de dar tchau. Já eram 17 horas, então fizemos um lanche lá no próprio espaço do Poço Azul e voltamos para Carolina. Admito que o dia foi bem puxado (nadar cansa!) e pra mim a volta estava sendo toda dormindo, até que fui acordado. Estávamos parados no meio da estrada, e eu não entendia direito o que tava acontecendo, mas bastou prestar mais atenção e olhar ao redor para entender: parada para o pôr do sol, ou melhor, parada para o Por do Sol + Nascer da Lua Cheia, cada um de um lado. Um dia inteiro andando em trilhas e nadando em cachoeiras pedia essa parada. Ficamos lá admirando o degrade laranja-azul que se formava, agradecendo pela viagem maravilhosa que estávamos fazendo. Agora sim poderíamos continuar o trajeto para Carol.
(Pôr do Sol sempre vale a pena)
(Acreditem: é a Lua)
Chegamos em Carolina, tomamos banho, nos arrumamos e fomos para a praça terminar o dia da melhor forma: comendo. Nesse segundo dia decidimos comer algum lanche na praça, e foi aí que conhecemos a lanchonete Hot Bel (quase certeza que é esse o nome), onde fomos atendidos pelo Marcelo. De início, parecia uma lanchonete comum, porém mal sabíamos que o melhor estava por vir. Pedimos sanduíches e sucos, que não demoraram muito para chegar. Todos provamos os sanduíches e aprovamos, então chegou a hora dos sucos. MAS QUE SUCO MARAVILHOSO É ESSE?! Sim, o suco tinha sabor de céu. Cupuaçú, maracujá, todos tinham sabor de céu. Foi amor ao primeiro gole. Estava decidido, todas as noites passaríamos ali para tomar o suco e viver essa paixão gastronômica. Esse suco era o que precisávamos para fechar o dia. Voltamos para a pousada gratos por esse segundo dia já imaginando quão maravilhoso seria também o terceiro. Poços Cristalinos, Cachoeiras maravilhosas, Pôr do Sol, Nascer da Lua, Suco do céu. Boa noite, segundo dia, boa noite, Carolina, QUE VENHA O DIA 3!
Não se esqueçam:
São muitas experiências vividas por aí para guardar tudo para si. Aqui no blog tudo é nosso!
*SOBRE O ALMOÇO
Antes de irmos para o poço azul, já havíamos lido em alguns lugares que o restaurante de lá não era tão bom, e por isso não fizemos questão de almoçar lá. Das 10 pessoas do nosso grupo, apenas Drielly e Pati almoçaram lá, comprovando o que já haviam nos informado: apesar do preço ser acessível, o restaurante deixou a desejar, com um atendimento ruim e pouca variedade.
*Pra não fazer uma postagem muito grande, resolvi dividir a viagem de Carolina em vários posts. Fiquem de olho que nos próximos dias sairá o restante!*
Clique aqui e confira o Post "Carolina - MA, Parte 1"
Clique aqui e confira o Post "Carolina - MA, Parte 3"
Clique aqui e confira o Post "Carolina - MA, Parte 4"
Clique aqui e confira o Post "Carolina - MA, Parte 5 (final)"












Eras, essa viagem é linda em qualquer época, com o poço azul ou não! Eras, tu contando faz eu querer ir de novo.
ResponderExcluirEu também já quero ir de novo!
ExcluirEu crescir tomando um banho nessas lindas cachoeiras .E ver tudo isso me deixou com saudades
ExcluirUma hora a gente tem GoPro, outra hora a gente não tem GoPro... Uma hora a gente tem GoPro, outra hora a gente não tem GoPro... Ái meu couro, meu courinho...
ResponderExcluirMontanha Russa de emoções!
ExcluirÉ G U A, preciso ir nesse lugar!
ResponderExcluirÉ incrível <3 Vale muuuito a pena.
ExcluirEhhh... Meu amigo.
ResponderExcluirHit bell mesmo o nome do local, mas o nível agora é outro: o suco continua ótimo mas a "picanha" é aquele velho caso de pagar lebre por gato.
Dura, borrachuda, salgada no tempero é no valor.